Cachoeira da Fumacinha, na Chapada Diamantina: o que saber antes de ir

Cachoeira da Fumacinha
Cachoeira da Fumacinha

Antes de fazer a trilha da Cachoeira da Fumacinha, na Chapada Diamantina, na Bahia, pesquisei bastante. Li vários relatos sobre a dificuldade, mas, mesmo assim, resolvi encarar. Realmente, foi bastante complicado. Tanto pela minha falta de preparo físico quanto pelo guia escolhido. Mas não se pode negar que o local é espetacular e deixa qualquer um sem palavras.

No post sobre a Cachoeira do Buracão, expliquei que contratei o guia Elenilson na Associação dos Condutores de Visitantes de Ibicoara, que fica a cerca de uma hora de carro de Mucugê, onde me hospedei. Ele foi ótimo nessa trilha. Por isso, eu e meu namorado anotamos seu número de telefone e avisamos que gostaríamos de conhecer a Fumacinha no dia seguinte.

Ele disse que ia esperar um amigo, também guia, voltar da trilha para saber as condições do lugar. Isso porque novembro é uma época de chuvas e os rios acabam ficando bem cheios (o período seco vai de abril a setembro e costuma ser o mais recomendado para visitar a Chapada). Por volta das 18h, ele avisou que conseguiríamos ir e marcou entre 6h e 7h num ponto próximo ao parque onde fica a Cachoeira do Buracão.

A caminhada (18km ida e volta) deveria começar às 7h, impreterivelmente. Porém, chegamos às 6h30m e não o encontramos. Sem sinal de celular, não obtivemos contato. Desistimos e voltamos. Na estrada, a conexão voltou e recebemos uma mensagem do Elenilson. Resolvemos retornar. Por causa do vai e vem, o passeio se iniciou depois das 8h.

Aqui vale um parênteses. A partir da associação dos guias, em Ibicoara, é preciso seguir em direção ao parque da Cachoeira do Buracão por uma estrada de terra durante meia hora, aproximadamente. Depois, vem outra estrada de terra que é percorrida em 20 minutos. Só então surge o início da trilha da Cachoeira da Fumacinha. Há espaço para estacionar o carro, não se preocupe. O ideal é sair do hotel já com um guia ou encontrar com ele na associação. Marcamos no meio da estrada porque já conhecíamos o percurso.

Num primeiro momento, estava tudo muito tranquilo e a caminhada seguia por trechos planos. Elenilson nos encorajou, disse que a maioria das pessoas costuma fazer a trilha em quatro horas, mas que poderíamos chegar até antes. Contudo, a situação só piorou.

Os rios estavam bem cheios e me pareceu que ele não estava esperando por isso, já que tinha consultado o tal amigo. Portanto, não passou nenhuma segurança durante as travessias na água. Numa das vezes, escorreguei feio. Esses percalços me desanimaram bastante.

Além disso, há uma infinidade de pedras. Cada obstáculo vai se tornando um sofrimento. Chegamos, enfim, à Cachoeira da Fumacinha em cinco horas, já perto das 14h. Para piorar, o guia nos disse que era preciso ir escalando as pedras até a cachoeira (esse paredão lateral que vocês observam nas fotos). Já estava exausta e tudo o que queria era curtir o lugar, mas acabei perdendo totalmente o ânimo. Depois, percebemos que daria para ter nadado tranquilamente. Ou seja, ele dificultou tudo.

Nem conseguimos aproveitar direito, pois estávamos preocupados com o horário. Para quem tem bom preparo e opta pelo período seco vale demais a pena. O visual é MUITO impressionante.

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Trilha da Cachoeira do Buracão, na Chapada Diamantina

Saímos por volta das 14h de lá. No caminho, fui ficando tensa. Faltava força nas pernas e eu só pensava que chegaríamos às 19h, já na escuridão. Já fiz outras trilhas longas, de 9km (Cachoeira do Segredo, na Chapada dos Veadeiros) e de 12km (Janela do Céu, em Ibitipoca), mas nenhuma se comparou a esta. Então, se você não tiver passado por uma experiência próxima nem se garantir no condicionamento físico, aconselho desistir rs.

Voltamos em 4h30m e pudemos passar pelo último rio (foram mais de seis travessias) ainda com o dia claro. Durante o percurso, comentamos sobre lanterna com o guia e ele respondeu que não tinha. Um profissional que se dispõe a fazer essa caminhada precisa ter todos os equipamentos. Portanto, é fundamental escolher cuidadosamente (se possível, com indicação) a pessoa que vai acompanhar você.

Outro ponto importante é a alimentação. Mal conseguimos parar para comer. Levamos apenas barrinhas de cereais e biscoitos. E não tomamos café da manhã, já que saímos da pousada às 5h. Então, faça um bom planejamento e providencie pelo menos duas garrafas de um litro de água (uma por pessoa). Sobre o preço: custou R$ 250 para o casal.

Por fim, apesar deste relato, não desanime. É aquele tipo de passeio que se faz uma vez na vida e que fica na memória para sempre. Escrevi o textão como um alerta para os que leem sobre as atrações da Chapada, mas não se aprofundam nos detalhes.

*Viagem feita em novembro de 2017

Cachoeira da Fumacinha
Cachoeira da Fumacinha
Cachoeira da Fumacinha
Cachoeira da Fumacinha

14 Responses

  1. Ruthia

    Annaluiza, que pena que a experiência foi penosa para ver essa pequena maravilha. O lado positivo é que conseguiu ver a cachoeira numa época com menos turistas e um caudal de água maior. As fotos ficaram lindas.
    Abraço

  2. Bruno Miguel

    Ahhhh, realmente uma pena ter sido uma experiência não muito boa! Sempre vemos coisas boas sobre essa cachoeira, mas os posts como os seus são os melhores, pois são verdadeiros. Obrigado por compartilhar e quando formos, tentaremos escolher a melhor época e guia também!

  3. Analuiza

    Olá minha quase xará!

    Eu acho a Chapada Diamantina um dos lugares mais bonitos e exuberantes que já pus os olhos. Suas fotos não negam o que eu disse. Já estive lá muitas vezes, mas nunca na região de Mucugê. Ainda!

    Sempre termino indo para o Vale do Capão e fazendo trilhas por lá. Nunca contratei guia e nunca tive problemas em caminhar com amigos por aqueles lados. Contudo, você fez em bem em seguir acompanhada de um, pois com a natureza não se brinca.

    Você foi corajosa em se aventurar por uma trilha de 18 quilômetros pela chapada. Que bom que no final deu tudo certo, você viu lindas paisagens. Me parece, pelo seu relato, que o guia ao ver os rios cheios, deveria ter voltado. Correram risco alto, ainda mais sem lanterna e outros equipamentos. Que sua experiência fique de alerta para outros viajantes como nós: pesquisemos bastante e perguntemos muito antes de nos aventurarmos. bjus

    • De boa na trip

      Sim, quero que sirva como alerta mesmo. Como você disse, não se brinca com a natureza!

  4. Viviane Carneiro

    Nossa… que cachoeira mais linda! Já estava com muita vontade de conhecer a Chapada Diamantina, agora a vontade só aumentou.

  5. Marcia

    Que pena ter recordações ruins de um lugar tão lindo. Pior que isso foi a irresponsabilidade do guia, que levou vocês a um lugar que ele parecia desconhecer. Que bom que não aconteceu nada tão grave.

  6. Patrícia

    Valeu pela dica, tô indo (finalmente) a chapada em abril e essas informações são super importantes. Obrigada 🙂

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